17/07/2012

CINE WINDSOR



Realmente, estou bem desatualizado. O Windsor fechou as portas no último dia 9 (mas na verdade já tinha acabado faz tempo).
Inaugurado em 19/07/61 com um filme biográfico do padre cantor mexicano Jose Mojica, "Eu, Pecador", tendo um ator brasileiro, Pedro Geraldo, no papel principal. Assim Rubem Biáfora se referiu à nova sala:
"Uma esplêndida sala lançadora o Windsor. Luxuoso, moderno, esmerado em seu acabamento e decorado com toda a propriedade para as finalidades a que se destina. O novo cinema tem tudo o que, nas atuais condições, poderíamos exigir de uma sala de primeira linha para São Paulo. Possui até mesmo condições para tornar-se nessa coisa importantíssima, vital para o "ambiente", o "meio", o panorama cinematográfico de qualquer metrópole: uma casa líder. Tudo dependerá agora do nível de programação, publicidade e de um ou outro cuidado posterior.'
Infelizmente, como sabemos, não houve esse cuidado. Há mais de 30 anos exibia apenas filmes pornográficos.
Foi lá, porém, que tive uma das sessões cinematográficas mais inesquecíveis da minha vida, que relatei no blog antigo e reproduzo aqui:
"Novembro de 1980. Após anos de proibição e uma longa pendenga judiciária, o polêmico filme de Nagisa Oshima, "O Império dos Sentidos",  finalmente é liberado para ser exibido no Cine Windsor, então transformado em “Sala Especial”, eufemismo criado para designar cinemas autorizados a lançar filmes com cenas de sexo explícito, como se dizia na época. Cinema lotado, todos aguardavam ansiosos o início da sessão. Depois de muito tempo só se ouvindo falar, havia grande curiosidade em poder conferir “a tal cena do ovo” ou o “corte” final. Mas também a preocupação de que algum oficial de justiça chegasse com um mandado proibindo a exibição ou pior, que a polícia invadisse o cinema e expulsasse-nos dali a golpes de cassetete. Nada disso acontece. As luzes se apagam, surgem os trailers. O coração acelera. Aparece na tela o Certificado de Censura, todos prendem a respiração. Começa o filme. O Brasil entra na maturidade."

2 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Grandes salas de cinema desapareceram... uma pena

O Falcão Maltês

Sergio Andrade disse...

A Cinelândia paulistana praticamente acabou. Restou apenas o Marabá.

Pesquisa do Blog