03/10/2011

CEGA OBSESSÃO

"Finalmente consegui assistir Cega Obsessão, de Yasuzo Masumura, um dos cineastas preferidos do Carlos Reichenbach. Neste filme Masumura presta homenagem à William Wyler, o mestre dos conflitos psicológicos elevados a potência máxima. Mas se a inspiração é O Colecionador, a origem da obra não poderia ser mais nipônica: um conto de Edogawa Rampo.

Uma música fúnebre logo de início já nos dá uma idéia do que está por vir. A narradora da estória é a modelo fotográfica Aki Shima. Ela nos conta como numa exposição de suas fotos viu um cego acariciando uma estátua dela nua. Aquilo a deixa sexualmente perturbada. Já em seu quarto do hotel solicita um massagista, e quem aparece é o mesmo homem, Michio, que na verdade é um escultor. O que ela não poderia imaginar é que Michio e sua possessiva mãe haviam planejado raptá-la. Eles a levam até um galpão onde fica o estúdio, cujas paredes estão cobertas por esculturas de partes do corpo humano: olhos, bocas, pernas, braços, orelhas, seios; e no centro do salão dois gigantescos bustos femininos. Michio explica para Aki qual seu objetivo: criar uma escultura que transmita o sentido do tato, e ela foi escolhida por ter um corpo perfeito. A partir daí teremos o embate entre esses três personagens. Como se trata de tato, os corpos estarão em permanente contato, de forma violenta ou sensual. As duas mulheres passarão a disputar a atenção do rapaz. Quando, depois de uma violenta discussão a velha bate a cabeça e morre, Aki e Michio, já completamente apaixonados, embarcam numa jornada de sexo sem limites, de entrega completa ao outro, fazendo com que ela mesma torne-se cega e passe a explorar o corpo do amante com as mãos. No momento em que isso deixa de satisfazer, eles começam a experimentar novas formas de prazer, iniciando com arranhões e mordidas. Desse ponto em diante Masumura irá testar os limites não apenas dos atores e seus personagens, mas do próprio espectador. À medida que os amantes vão sofisticando seus métodos, com chicotes, estiletes, até chegar a facas e martelos, o diretor parece nos perguntar: até onde você chegaria? Até que ponto você consegue assistir? (Talvez seja por isso que o filme termine com um close nos olhos de Aki). Cega Obsessão é excessivo, exaustivo, perturbador. Você pode até não gostar, mas com certeza não sairá indiferente desta bela e radical experiência de cinema."

Publicado originalmente no blog antigo, em 27 de julho de 2005.

Trailer

2 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Grato pela dica. Vou procurar assisti-lo. Fiquei muito interessado.

O Falcão Maltês

Sergio Andrade disse...

Foi lançado em DVD no Brasil. Vale muito a pena.

Abs

Pesquisa do Blog