03/09/2006

PONDO O CINEMA EM DIA, AINDA!

A Casa do Lago (The Lake House) - Primeiro filme que vejo do muito admirado cineasta argentino Alejandro Agresti, aqui estreiando no cinema americano. É a refilmagem de um filme coreano, Siworae, que não conheço. No início a doutora Kate Forster (Sandra Bullock) está de mudança e deixa uma carta para o futuro inquilino, o arquiteto Alex Wyler (Keanu Reeves). Ele responde, e os dois passam a se corresponder até descobrirem que ela está 2 anos à frente!
O enredo é suficientemente interessante para manter a atenção, e a química entre a dupla principal funciona perfeitamente.
Verdadeiro trabalho de um bom artesão, que fica mais evidente ao vermos no final uma ficha técnica das mais econômicas, ao contrário das fichas quilométricas da grande maioria das produções hollywoodianas.
O final é previsível, mas também irresistível para qualquer um que ainda acredite que o grande amor de sua vida está esperando logo ali, daqui a dois anos.

Terror em Silent Hill (Silent Hill) - Lamentável adaptação de um jogo de videogame, em que uma mãe procura pela filha desaparecida na cidade do título. Um filme pesado como chumbo, com o visual mais feio dos últimos anos e atores completamente perdidos num roteiro sem pé nem cabeça. Na metade de seus intermináveis 127 minutos a paciência deste escriba já tinha ido pras cucuias. E parece que existe uma versão de 3 horas de duração!!! Por onde andará o velho e bom poder de síntese? A culpa maior pelo fiasco pode ser creditada ao medíocre Roger Avary, mas como o diretor Chritophe Gans também não é muito confiável...
No entanto Silent Hill dividiu opiniões, então veja por sua conta e risco.


O que você faria? (El Método) - Se você acha o título brasileiro desse filme horrível, espere até estrear Hard Candy, que se chamará Menina Má.Com (!?) Bom, mas deixemos essas amenidades de lado e vamos ao filme.
Sete executivos disputam uma vaga numa grande empresa. Trancados numa sala, eles são submetidos a um método de seleção chamado “Grönholm”. Enquanto se digladiam para conseguir o cargo, nas ruas acontece um grande protesto anti-globalização, mas nunca vemos essas cenas, apenas ouvimos num momento o grito de ordem das pessoas: “O Povo, unido, jamais será vencido!”
Claustrofóbico, perverso, cínico, El Método é um grande filme. E o final é apocalíptico.

Miami Vice – Não é, como querem alguns, a obra-prima do ano, mas Miami Vice é um policial muito mais do que competente, dando mais ênfase nos personagens do que na ação, que quando acontece é eletrizante. Colin Farrell está canastrão como sempre, mas Gong Li e Luis Tosar compensam essa falha. Ele, em especial, tem uma cena, quando descobre a traição da amante, onde representa com a nuca, coisa que só um ator genial pode conseguir.

Transamérica – Bree Osbourne é uma transexual que na véspera de sua operação para mudança de sexo descobre ser pai de um adolescente que se prostitui nas ruas. O diretor estreante Duncan Tucker sabia que tinha uma estória bastante forte em mãos, então inteligentemente mantém a câmera a maior parte do tempo em seus atores. E como eles são bons, dão conta do recado. Mas o destaque vai todo para Felicity Huffman, que encontrou o tom exato de sua complexa personagem.

Trair e Coçar é Só Começar – Um sucesso teatral significa que será também um sucesso quando adaptado para o cinema? Não, a se julgar pelo fracasso de Irma Vap, da Carla Camuratti. Este “Trair e coçar...” parece que vai pelo mesmo caminho. Nada funciona aqui, da falta de timing para comédia do elenco ao roteiro capenga, passando pela direção pouco inspirada.

O Sol – Caminhando Contra o Vento – Documentário sobre a curta mas influente duração do jornal carioca “O Sol”, criado em 1967, no auge da ditadura militar, contextualizando a época através de trechos de documentários e depoimentos de seus criadores e colaboradores. O tom de exaltação às vezes parece exagerado, mas sempre é bom vermos os anos de chumbo retratados na tela, para que fatos como aqueles nunca mais voltem a acontecer.

Casseta & Planeta – Seus Problemas Acabaram – Apenas uma palavra: constrangedor.

Vôo United 93 (United 93) – O diretor Paul Greengrass reconstrói, a partir de depoimentos de familiares das vítimas e de gravações da cabine dos pilotos, o que teria acontecido no avião seqüestrado da United Airlines em 11 de setembro de 2001, o único que não conseguiu cumplir sua missão. Em enxutos 90 min., acompanhamos o desespero de todos os envolvidos no episódio, dos passageiros aos terroristas, passando pelas equipes que monitoravam os vôos nas torres de controle aéreo. Claro que emociona!

Cafuné – O dicionário Houaiss define cafuné como carícia em geral, especialmente com a ponta dos dedos no couro cabeludo de outrem; afago, mimo. E é isso que os personagens desse filme procuram. Ambientado num Rio de Janeiro de céu constantemente nublado, conta a estória de amor entre uma garota da Zona Sul (Priscila Assum, a menina de Como Nascem os Anjos, agora já bem crescida, mas sempre ótima) e um rapaz da favela.
O primeiro plano já dá o tom do filme, quando vemos um bebê deitado sobre um pano ensangüentado. Mas a cena ficará inconclusa, uma vez que o diretor Bruno Vianna, em sua abordagem do abismo social brasileiro, deixa vários pontos de interrogação na cabeça do espectador.
Cafuné é um filme imperfeito. Mas é justamente dessa imperfeição, e de sua aparente despretensão, que ele tira sua força. Muito instigante!


15 comentários:

Bruno Amato Reame disse...

Pô, eu devo ser um dos poucos que gostou de Terror em Silent Hill (mas sem fanatismos do tipo "melhor do ano!"). Já vi que o visual do filme é o ponto que mais divide, uns rejeitam totalmente, outros acham maravilhoso.

sergio disse...

Fala, Bruno! Tem mais gente que gostou bastante do Silent Hill.
Eu sou um dos que detestaram o visual! Mas o filme tem dividido, e muito, as opiniões. Abç!

Marcos A. Felipe disse...

Eu impliquei bastante com os personagens - ficou a impressão que cairam do céu para resolverem tudo aquilo. Mas gostei bastante da personagem de Gong Li: ficou mais completa - com uma problemática psicológica, uma história de vida, movendo-a o tempo todo. Mas, afora os personagens, Miami Vice ganha mesmo nas imagens,no uso do formato, etc.

sergio disse...

Fala, Marcos! Talvez o Mann tenha partido do principio de que os personagens já fossem conhecidos da série, o que não é meu caso. Mas alguns personagens secundários ganharam vida, como a Gong Li. E é verdade, o trabalho com a imagem é algo muito interessante.

pedrita disse...

nossa, vc viu cafuné. quero muito ver. minha amiga tb elogiou a casa do lago e indicou, mas eu ando ressabiada com os filmes tão falados argentinos, acho que prefiro tentar ver cafuné. os brasileiros sim, andam de surpreendendo. os outros não me interessei também. beijos, pedrita

sergio disse...

Vi, Pedrita, e gostei muito. Assista, eu recomendo, um pequeno grande filme :)
Tb não sou fã dos filmes argentinos, mas esses 2, A Casa do Lago(embora produção americana) e El Método são muito bons! Beijos!

Graciele disse...

Sergio, morri de rir de suas notas acerca de algumas de suas incursões cinematográficas! Muito legal esse post.
Recomendo "A dama na água". Acho que é o melhor filme do Shyamalan em muito tempo. Atuações lindas - bom, tem o Paul Giamatti! - e uma história construída de forma muito delicada.
Eu estava um tanto reticente com relação a Vôo United 93, mas vc me motivou a assisti-lo!
Obrigada, amigo.

sergio disse...

Graciele, há quanto tempo!!! Quer dizer que esse do Shiamalão é bom? Não estava muito interessado em assistir, mas agora com sua recomendação já me animei, gosto bastante do Giamatti!
E o Vôo 93 vale a pena.

Roberto Queiroz disse...

Vôo 93, Transamérica, Terror em Silent Hill e Miami Vice são excelentes. Esperava mais de Cafuné (para mim, a grande decepção dessa sua lista). E a surpresa, com certeza, é SOl: Caminhando contra o vento, que tive a honra de assistir de graça (pois ganhei dois convites num concurso da Art Films). Maravilhoso! Os demais ainda não vi. Abraços do crítico da caverna cinematográfica.

Marcelo Carrard disse...

Sérgio, de onde vc tirou que o Silent Hill tem 107 min? São duas horas ou um pouco mais a não ser que na sua sessão o projecionista tenha esquecido um rolo de filme. Estava pensando em ver o tal filme do avião e pelo jeito parece ser uma boa pedida...

Ronald disse...

Bem, vamos aos filmes que eu vi. Silent Hill é uma decepção mesmo. Mas não concordo quanto ao visual. Achei interessante. Mas não justifica, o filme é uma bosta.

Mas concordo plenamente com você em Miami Vice. O povo tá achando que a obra prima do ano e tal. É um ótimo filme. Superou e foi além das minhas espectativas, mas não é pra tanto.

é... o resto ainda não vi...

Abraços!

Moacy disse...

É, acho que preciso ver Miami Vice... Um abraço. Ah, sim, grato pela dica no Balaio.

sergio disse...

Roberto, gostei muito de Cafuné, e acho que deve crescer ainda mais numa revisão.
O Sol é um belo filme, e de graça então...hehehe!

Marcelo, obrigado por ter me alertado, foi uma falha minha, a duração oficial é de 127 min. Quer dizer, a tortura foi mais longa ainda hehe!
Vou consertar. Muito obrigado mesmo, amigo!
E o filme do avião é uma boa pedida.

Fala, Ronald! Mais um para o time dos que não gostaram de Silent Hill :)
O povo está exagerando muito sobre o Miami Vice. Menos, pessoal, menos...

Veja Miami Vice, Moacy, mas sem grandes expectativas. É um bom filme!
E não há de que!

Abraços a todos!!!

Bakemon disse...

Puxa, Sérgio! Eu ia passar longe dessa refilmagem do Il Mare (A Casa do Lago), mas tá todo mundo falando bem... Estou ficando com coçeira... Nesse friozinho, bem acompanhado...

sergio disse...

Bakemon, se não me engano vc viu o coreano, não? É bom? Esse do Agresti é muito bom. Vc pode ver e depois fazer uma comparação entre os dois no seu blog!
E claro, nesse frio e bem acompanhado cai melhor ainda :)
Abraço!

Pesquisa do Blog