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02/04/2007

Estava meio na dúvida se publicava ou não um e-mail que recebi neste domingo. Mas como o Matheus o fez no seu blog, sinto-me na obrigação de publicar.
Vejam bem, estou publicando não pelos possíveis elogios que o autor tenha me dirigido, mas sim pela autêntica emoção por ele demonstrada após uma certa sessão de cinema numa tarde de sábado, e que realmente merece ser compartilhada com os amigos e fiéis.

SERGIO, olá

Creio que não te agradeci como devia, a oportunidade de ontem, de rever com público ANJO LOIRO.Foi super-emocionante, mais do que eu pensava. Uma emoção que rolou até de madrugada que mesclavam sentimentos de dever cumprido com a lembrança de alguns equívocos meus, de injustiça sofridas e uma boa sensação, as vezes, de gostar da direção, do elenco e do diálogo. Enfim, do filme, modéstia a parte. Mas foi mesmo uma confusão de sentimentos e uma certa fossa (palavra antiga) de não fazer mais cinema. Paciência.

Sergio, você está fazendo um trabalho super-bacana de resgatar filmes que não fazem parte da História Oficial. E, acredito, com muitas dificuldades. E vejo que esse teu esforço tem amigos e apoio, inclusive o Matheus que tem um jeito super-legal, carinhoso e responsável, de estudar o nosso cinema.

Não agradeci também ao rapaz que trouxe a cópia. Falha minha, por favor, se puder, peça desculpas em meu nome.

Mais uma vez, obrigado e disponha.

Abraço

Alfredo Sternheim

31/03/2007

FOTOLOG SOCIAL - "ANJO LOIRO"

Dia 31/03/07 - Bibl. Pref. Prestes Maia.

O público aguarda o início da sessão.

Edú Aguilar finalmente marcou presença como espectador na Mostra.

Matheus Trunk, o "Menino-Prodígio", conduziu muito bem o debate com Alfredo Sternheim.

Gio Mendes, Marcelo Carrard, Rodolfo e Jorge Rubies.

Ouvir Alfredo Sternheim falar por cerca de 2 horas valeu por todo um curso de cinema!

Orfeu e Manuel, presentes nas cinco sessões da Mostra!

Sergio Andrade e o Mestre Sternheim. Foto: Jorge Rubies.

Da esquerda para a direita: Manuel, Antônio Carlos, A. Sternheim, Rodolfo, Carrard, Paulo, Jorge, Matheus, Gio, Aguilar e Orfeu.

THE END!

30/03/2007

"ANJO LOIRO" - SÁBADO, 31/03

Para fechar com chave de ouro a Mostra "Cinco Visões de Nosso Cinema" neste sábado, haverá a exibição de outra raridade, o filme "Anjo Loiro", do grande (e injustiçado) cineasta Alfredo Sternheim. Cópia em 16 mm.
Após um pequeno intervalo acontecerá a palestra de Matheus Trunk e de nosso convidado especial, o próprio diretor Sternheim. Sábado, 31/03, 13:00 hs. Evento gratuito!

Ficha técnica:
Anjo loiro (idem, BRA, 1973)
Direção: Alfredo Sternheim
Roteiro: A. Sternheim e Juan Siringo baseado no romance "Professor Unrath" de Heinrich Mann.
Elenco: Vera Fischer, Mário Benvenutti, Célia Helena, Ewerton de Castro, Nuno Leal Maia.
Duração: 99 min; Colorido; Censura 12; Drama.

Sinopse:
Laura é uma moça libertina que se entrega a todos os homens, sem no entanto demonstrar interesse por nenhum. Porém ao conhecer um professor, mais velho do que ela, e que também leva uma vida livre, ambos se envolvem. Versão brasileira do filme: “O anjo azul”.

Comentário:
"Do “Anjo Loiro”, de 1973, gosto muito ainda hoje. Creio que tem grande calor humano, um clima algo irônico, meio Almodóvar, que ainda nem existia. Fui feliz na escolha do elenco total, em especial Benvenuti e Vera Fischer que já tinha talento, mas poucos queriam enxergar por conta do preconceito contra a Miss Brasil que ela foi. É pena que depois o filme tenha sido interditado e retalhado pela Censura Federal, cujo diretor era o Rogério Nunes. Na época, a Polícia Federal do governo Médici tinha como chefe o general Antonio Bandeira. Faço questão de lembrar essas pessoas que tanto mal me fizeram com suas decisões absurdas. (Depoimento do diretor para o site Estranho Encontro).

Convidado Especial:
Alfredo Sternheim é o segundo dos dois filhos de um alemão e uma marroquina que se conheceram no Brasil, para onde vieram em conseqüência de duas guerras: ele por causa dos nazistas, ela por causa da Guerra Civil Espanhola, já que a ação militar de Franco começara no Marrocos, então protetorado espanhol. Apaixonado pelo cinema desde a infância, decidiu ser diretor aos 14 anos, após passar dois dias nos estúdios da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo-SP, fazendo figuração no filme "Osso, Amor e Papagaios". A partir de 1958, começou a frequentar o Cineclube do Centro Don Vital, na capital paulistana, onde conheceu Walter Hugo Khouri e Rubem Biáfora. O primeiro o contrataria, em 1961, para fazer continuidade e assistência de direção no longa "A Ilha", ocasião em que também o designaria para dirigir o curta-metragem "Um Recanto Aprazível", que era na verdade a forma de pagamento pela hospedagem da equipe de filmagem, oferecida pela unidade do SESC, em Bertioga-SP. Ainda com Khouri, foi assistente de direção no filme "Noite Vazia". Como já havia escrito sobre cinema no suplemento cultural de "O Diário", de Belo Horizonte, e no "Diário da Noite", de São Paulo, foi convidado por Rubem Biáfora para ser crítico de cinema do jornal "O Estado de São Paulo", onde ficou entre 1963 e 1967, mesmo período em que dirigiu documentários, alguns premiados. Dessa época, seus curtas de maior destaque foram: "Noturno" (1967), que mostra a metrópole paulistana do entardecer ao anoitecer, sem falas; "Flávio de Carvalho" (1967), que retrata vida e obra do famoso pintor-arquiteto; "A Batalha dos Sete Anos" (1968), retrato do cinema brasileiro entre 1950 e 1962; e "Isei Nisei Sansei" (1970), painel da colonização japonesa em São Paulo. Foi também produtor do pioneiro programa "Cinema Brasileiro na TV", que continha entrevistas e exibições de filmes, levado ao ar pela TV Cultura de São Paulo, entre 1969 e 1970. Ainda em 1970, após realizar oito curta-metragens, estreou em longas com "Paixão na Praia", produzido pela Servicine e que enfrentou problemas com a censura – mesmo destino da produção seguinte, "Anjo Loiro", com Vera Fischer como protagonista. A terceira produção, "Pureza Proibida", de 1974, ainda hoje é mencionada como obra pioneira na inclusão do negro na filmografia nacional. Seu quarto longa, "Lucíola, o Anjo Pecador", luxuosa produção de época, foi apresentado com sucesso no "4° Festival Internacional de Teerã", no Irã, em 1975, país que à época vivia sob o regime dos Xás, anterior à revolução dos Aiatolás. Sempre escrevendo sobre cinema para jornais e revistas e dirigindo, por algum tempo, programas da série "Telecurso 2° Grau" – por indicação de Sílvio de Abreu –, realizou uma obra de 27 longas e 14 curtas, sendo que apenas o filme "Aquelas Mulheres", de 1975, não foi lançado comercialmente, permanecendo inédito. Nessa produção, dirigiu o episódio "Reencontro", que tinha no elenco Lilian Lemmertz, Sérgio Hingst e Roberto Bolant. Foram os seguintes os veículos para os quais escreveu, enquanto ainda atuava como diretor: revistas "Filme & Cultura", do Ministério da Educação e Cultura (1967 a 1972); "Video Business", da Editora Iris (1987a 1988) e "Cinevídeo", da Editora Ondas (1988 a 1990). Foi também editor e crítico de cinema e filmes na TV do jornal "Folha da Tarde", entre 1972 e 1979. A partir de 1983, realizou filmes de sexo explícito com histórias, quase todos para o destacado produtor Juan Bajon, não usando pseudônimo em nenhum deles – fato comum entre a maioria dos cineastas do período –, atitude que lhe custou caro, fazendo-o enfrentar inúmeras barreiras e preconceitos. Em 1989, após dirigir um documentário institucional, nunca tendo sido produtor e sem se adaptar às condições de mecenato predominantes na produção do período, passou a se dedicar exclusivamente às atividades de crítico e jornalista. Nessa nova fase, assume ainda em 1989 a função de editor-assistente da revista "Classe News Vídeo" e escreve na revista "Internacional" (Editora Ondas), onde permanecerá até 2001. No mesmo ano, escreve o "Guia do Video/DVD", para a Editora Nova Cultural. Nos anos seguintes, irá escrever para várias publicações: revista "Set" (1993 a 2007), "Ver Vídeo Erótica" e "Ver Vídeo" (1994 até 1998), "Guia da Folha" do jornal "Folha de São Paulo (1996 a 2001), site "O Fuxico" (maio de 2002 até julho de 2003), Jornal do Vídeo (2003) e revista da "TV A" (2004 a 2005). Durante sua longa produção, dirigiu ainda alguns comerciais publicitários e institucionais no Estado do Paraná. (Fonte: Cinema da Boca - Dicionário de Diretores; Currículo Pessoal) (IBAC – Instituto Brasileiro de Arte e Cultura)

Palestrante:
Matheus Trunk é estudante de jornalismo, apaixonado por cinema, especialmente o brasileiro popular. Redator-chefe e fundador da revista eletrônica Zingu!, realiza diversas pesquisas sobre cinema brasileiro e música brega e romântica antiga. Colecionador de LPs, tem mais de mil em sua casa e assistiu a filmes que a maioria das pessoas não dá atenção. Participa de diversos cursos sobre cinema, em especial do crítico Inácio Araújo. Mantém dois blogs: Cinéfilos do Terceiro Mundo (sobre cinema) e Jovem Guarda/Brega Company (sobre música). Colabora desde abril de 2006 na revista eletrônica Freakium! e desde setembro de 2006 no blog Click na Moda. Escreve também na revista Transporte Mundial da editora Motorpress, dedicada ao transporte terrestre de carga. É o responsável pelas entrevistas, a elaboração dos dossiês e grande parte da Zingu!.

31/03, 13:00 hs.
Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia

Av. João Dias, 822 - Santo Amaro
Tel.: 5687-0513
Lotação: 150 lugares
Evento gratuito

14/01/2006

LIVROS, REVISTAS COM DVD, LISTA, ETC...

O mítico cinema feito na Boca do Lixo paulistana finalmente ganha um livro à sua altura. Sem as benesses de uma estatal espúria, ignorado por boa parte da crítica e ridicularizado por nossa inteligentsia e gênios de plantão, de lá sairam, na década de 70, alguns dos maiores sucessos de bilheteria de nosso cinema. E também obras de inegável valor artístico, mas que não era de bom tom apreciar. Escrito por alguém que, primeiro como crítico e depois como diretor, viveu o período de ascensão, apogeu e queda da produção local, o que sobressai do livro é a forma carinhosa com que Alfredo Sternheim comenta a obra dos cineastas que passaram pela região, despido de qualquer tipo de preconceito. São 127 verbetes de pessoas que, a despeito do nível de formação ou ambição intelectual, tinham em comum uma mesma coisa: o amor pelo cinema. Absolutamente indispensável!

Na apresentação, Máximo Barro comenta dados preocupantes: apenas um quinto dos mais de 100 longas-metragens em que Hingst teve participação encontram-se na Cinemateca Brasileira, mas nem todos em condições de projeção, pois apresentam problemas típicos da má conservação da película cinematográfica como perfurações fora do padrão e imagem descolando, e que já existiam antes das cópias serem depositadas naquela instituição cujo papel é fundamental para a preservação de nossa memória cinematográfica. Segundo ele, a maioria dos produtores "conserva" os originais em depósitos construídos para abrigarem móveis, tapetes, pneus e trastes das casas. A continuar assim, dentro de poucos anos somente cerca de 50 filmes com o ator, que Ugo Giorgetti certa vez disse ser a cara de São Paulo, poderão ser assistidos. Neste livro, uma das mais completas biografias da Coleção Aplauso, Barro recupera a história de Sérgio Hingst, desde suas origens alemãs, passando pela formação na EAD, a participação em clássicos como "Estranho Encontro" (Khouri), "O Quarto" (Biáfora), "Aleluia, Gretchen" (Back), "Lilian M" (Reichenbach), entre outros, até a última atuação num curta-metragem de 1985. Bela homenagem a um grande ator, cuja obra precisa urgentemente ser preservada.

Do clássico do cinema mudo "A Caixa de Pandora" até filmes recentes como "Intimidade" e "E Tua Mãe Também", Neil Fulwood analisa 100 cenas, de 100 filmes, que redefiniram a forma com que o sexo foi mostrado no cinema. Dividido em 5 capítulos, assim denominados: "Implicit" (com filmes como "Gilda", "Spartacus" , "O Criado", etc.); "Explicit" ("O Império dos Sentidos"; "Betty Blue", "Emmanuelle", etc.); "The European Aesthetic" (com filmes de Buñuel, Blier, Fellini, Almodovar e Greenaway); "Pleasure and Payment" ("A Professora de Piano", "Marnie", "Ondas do Destino", etc.) e "Forbidden Flesh" ("Saló ou os 120 Dias de Sodoma", "A Comilança", "O Silêncio", etc.). Excelente!

REVISTAS COM DVDs ENCARTADOS

- CINE MONSTRO Nº 6, com "Phenomena" de Dario Argento. Jennifer Connelly, aos 14 anos, é uma garota com estranhos poderes sobre os insetos, o que a ajudará a solucionar uma série de assassinatos cometidos contra as estudantes de um colégio interno na Suiça. Ela contará com a colaboração de um entomologista (Donald Pleasence) e sua chimpanzé de estimação. Muito clima e surpresas, num dos melhores filmes do mestre.

- DARK SIDE Nº 14, traz um clássico da animação de bonecos em stop-motion, "A Festa do Monstro Maluco", um filme que permanece na memória afetiva de muitos trintões e quarentões (hehe). O Barão Frankenstein, para comemorar a descoberta de uma poderosa bomba, convida para uma festa em sua ilha todos os monstros que já passaram pelas telas: Drácula, Lobisomem. A Múmia, O Monstro da Lagoa Negra, O Homem Invisível, Dr. Jekyll e Mr. Hyde, O Corcunda de Notre Dame, e seu sobrinho normal. E, claro, Francesca, a secretária do Barão, uma ruiva de corpo escultural! No original, o Barão é dublado pelo grande Boris Karloff. Pura nostalgia!

- EAST SIDE Nº 2 e 3 - Com os episódios 2 e 3 que completam a saga do "Street Fighter" Terry Tsurugi, interpretado por Sonny Chiba. A primeira parte já comentei por aqui. Aguardem por muitos mais ossos quebrados!

LISTA DOS MELHORES DE 2005 (FINAL)

Completando minha lista de melhores filmes exibidos em cinemas no ano passado, relaciono mais 10 que gostei bastante. 2005 pode não ter sido um ano excepcional, mas trouxe um bom número de grandes filmes.

11-Kung-Fusão – Stephen Chow
12-O Aviador – Martin Scorsese
13-Maria cheia de graça – James Marston
14-A queda! As últimas horas de Hitler – Oliver Hirschbiegel
15-Extremo sul – Mônica Schmiedt e Sylvestre Campe
16-Contra a parede – Fatih Akin
17-A casa dos bebês – John Sayles
18-Irmãos – Patrice Chéreau
19-Sideways – Entre umas e outras – Alexander Payne
20-Manderlay – Lars von Trier

O ser humano tem muito a aprender com esses simpáticos e desajeitados animais!!!

Finalmente, copiando descaradamente a idéia do último post do Edú "Cine Rebeldia" Aguilar (desculpa ai, amigo...hehe) alguns dos melhores textos da Web no momento, entre sites e blogs:

Para incrementar a polêmica sobre "2046 - O Segredo do Amor", de Wong Kar-Wai, duas excelentes críticas, uma pró, de Neusa Barbosa:

http://cineweb.oi.com.br/index.html

Outra contra, de Carlos Alberto Mattos:

http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?artigo=960

O site é dedicado a filmes de terror, mas foi nele que encontrei talvez a crítica mais positiva feita sobre o ótimo faroeste de Henry Hathaway, "Os Filhos de Katie Elder":
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/offtopic/elder.html

No Japan Action, bela resenha sobre "Fighting Elegy", do grande Seijun Suzuki:
http://www.japanaction.cjb.net/

Andréa Ormond, depois de Carlo Mossy, agora entrevista Anselmo Vasconcellos, a Múmia do clássico de Ivan Cardoso, entre outros personagens inesquecíveis:
http://www.estranhoencontro.blogspot.com/

E o Fernando Roveri e o Marko, depois de um longo e tenebroso inverno, voltaram com tudo. O primeiro comenta o documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda":

http://muzzle.zip.net/

O segundo analisa "Soldado Anônimo:

http://komentarista.blogspot.com/

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