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25/06/2006

À BEIRA DO ABISMO

"À Beira do Abismo" é a quintessência, o supra-sumo, a Bíblia (chame como quiser) do filme noir, o filme que reune a maioria de seus elementos mais característicos (O investigador, uma história complicada, a mulher fatal, violência, obsessão sexual, corrupção, desconfiança, pessimismo, diálogos cínicos, ambiente urbano, cenas noturnas, etc.)
Baseado no livro de Raymond Chandler, teve como um dos roteiristas ninguém menos que o ganhador do Prêmio Nobel William Faulkner (além de Leigh Brackett e Jules Furthman).
Seria perda de tempo eu tentar fazer uma sinopse, que poderia complicar mais ainda um enredo que já é dos mais complicados. Diz a lenda que Howard Hawks, ao ver o filme pronto, percebeu que um dos assassinatos havia ficado sem solução. Procurou então o autor Chandler para saber quem tinha cometido o crime, ao que este respondeu: “Não faço a mínima idéia!”.
Em resumo, é a história de um detetive particular (Philip Marlowe), contratado por um general para investigar um caso de chantagem da qual estão sendo vítimas suas duas filhas, uma das quais é ninfomaníaca.

Existem duas versões do filme. A primeira foi exibida apenas às tropas americanas durante a II Guerra Mundial, e trazia uma cena de 9 minutos com Bogart e um chefe de polícia onde eram explicados os diversos assassinatos.
Em 1946, um ano depois de encerradas as filmagens, a equipe se reuniu novamente por 6 dias, para filmar novas cenas escritas por Philip Epstein (não creditado).
Hawks cortou 20 minutos da 1ª versão, inclusive aquela cena de 9 min., e acrescentou 18 minutos na nova versão, incluindo o famoso diálogo entre Bogart e Lauren Bacall num restaurante onde eles conversam sobre corridas de cavalos mas na verdade estão se referindo ao sexo.
Aliás, podem estar certos que sempre que Marlowe estiver em cena com uma mulher, haverá insinuações sexuais.
Na verdade, em "The Big Sleep" não existe uma mulher fatal, mas sim várias.

(As "femme fatales" de À Beira do Abismo)

A Warner está devendo uma edição especial do filme em DVD no Brasil.

Para concluir esta minha excursão pelo film noir, falta dizer que esses filmes, pouco apreciados em sua época, foram a fonte onde beberam alguns jovens franceses, no final da década de 50, para revolucionar a linguagem cinematográfica. Seus nomes: Godard, Chabrol, Rohmer, Rivette, Truffaut, Malle, Molinaro; e o movimento que criaram: Nouvelle Vague.

24/06/2006

O FILME NOIR PURO

Inúmeros livros já foram escritos sobre o film noir, título dado pelos franceses a uma série de filmes criminais americanos influenciados pelo expressionismo alemão e produzidos nas décadas de 40 e 50.
Cada autor faz sua lista pessoal do que entende ser film noir. Assim que filmes de gêneros tão diversos quanto o western (Matar ou Morrer e Sangue na Lua), o filme de boxe (Punhos de Campeão), de aventura (Calcutá), de sobrenatural (O Enviado de Satanás), de guerra (Capacete de Aço), de ficção científica (Vampiros de Almas e 2001, Uma Odisséia no Espaço), comédia (A Dama Desconhecida) são considerados noirs.
Um dos melhores livros sobre o assunto foi publicado aqui mesmo no Brasil, de autoria do mestre A. C. Gomes de Mattos, "O Outro Lado da Noite: Filme Noir".
O que é um filme noir? Um movimento? Um ciclo? Um gênero? Um estilo? Uma tendência?
Para Mattos não se trata de nenhuma dessas definições, mas é "um desvio ou evolução dentro do vasto campo do gênero drama criminal, que teve o seu apogeu durante os anos 40 até meados dos anos 50 e foi uma resposta às condições sociais, históricas e culturais reinantes na América durante a Segunda Guerra Mundial e no imediato pós-guerra".
Ele divide os filmes entre noirs puros e noirs impuros.
Os impuros seriam aqueles nos quais podem ser vislumbrados elementos noirs temáticos ou visuais (ou seja, todos os citados acima).
O noir puro é o que conjuga as formas de ficção criminal americana, encontradas nas obras de escritores geniais como Dashiell Hammett, Raymond Chandler, James M. Cain e Cornell Woolrich, com o visual expressionista.
Tem que ter um tom deprimente e pessimista; e um clima de corrupção, morte, angústia, fatalismo, etc.
E o mais importante: a ambientação deve ser a urbana americana dos anos 40 e 50 "porque o filme noir está ligado a este período histórico, sendo condicionado pelas condições socioculturais então reinantes".
Você pode até discordar das opiniões do Professor Gomes de Mattos (eu, p. ex., considero o filme noir um estilo), mas com certeza irá se deliciar com sua minuciosa análise de 150 filmes que ele considera os mais importantes filmes noirs puros.
Obrigatório para qualquer cinéfilo que se preze.
MATTOS, A. C. Gomes de. O Outro Lado da Noite: Filme Noir. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. (Artemídia)

18/06/2006

FILMES DA MINHA VIDA - FILM NOIR

Alma em Suplício - Michael Curtiz

Os Assassinos - Robert Siodmak

O Beco das Almas Perdidas - Anatole Litvak

O Beijo da Morte - Henry Hathaway

Os Corruptos - Fritz Lang
A Dama de Shanghai - Orson Welles
O Destino Bate à Porta - Tay Garnett

Fuga ao Passado - Jacques Tourneur

Fúria Sanguinária - Raoul Walsh
Gilda - Charles Vidor
O Grande Golpe - Stanley Kubrick
O Homem Errado - Alfred Hitchcock
Laura - Otto Preminger
Morte num Beijo - Robert Aldrich

Nascido Para Matar - Robert Wise

No Silêncio da Noite - Nicholas Ray
Pacto de Sangue - Billy Wilder
Pânico nas Ruas - Elia Kazan
Relíquia Macabra - John Huston


O Segredo das Jóias - John Huston

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