
No caso, trata-se de um dos meus primeiros textos, publicado no dia 02/02/05, nos primórdios do Kino Crazy, quando dava meus primeiros passos no mundo então desconhecido da blogosfera.
Não fiz modificações no texto (mantive inclusive a referência a uma novela da época). Acrescentei apenas alguns dados da ficha técnica.
"Lianna é uma mulher casada e mãe de dois filhos. Infeliz no casamento, ela sofre com o desprezo do marido, professor de cinema numa universidade. Sua distração consiste em assistir, com muito interesse, as aulas de psicologia de Ruth. Um dia ela descobre que o marido a trai com outras mulheres. Quando ele sai em viagem, Lianna vai jantar na casa de Ruth. Depois de alguns copos de vinho e algumas confissões, elas sentem-se atraidas e vão para a cama. Quando o marido volta de viagem Lianna conta-lhe tudo o que aconteceu, e é expulsa de casa. Sem ter para onde ir, vai morar com a amante, enfrentando todo o tipo de preconceito.
Passados mais de 20 anos de sua realização, Lianna continua sendo um dos melhores, mais adultos e honestos filmes sobre lesbianismo já feitos.
Ainda hoje o tema é considerado tabu, imagine então naquela época!!! Mas John Sayles não recua em nada ao abordar todos os lados da questão, e como a decisão de Lianna assumir sua sexualidade afetará todas as pessoas ao seu redor.
A começar pelo seu marido, que se sente muito mais ofendido por ela o ter traido com uma mulher do que com a própria traição.
Seus filhos, principalmente a filha mais nova, terão dificuldades em aceitar a opção da mãe.
As amigas se afastarão aos poucos. A própria amante não saberá como lidar com a situação, pois tem medo do escândalo, já que ela é uma professora universitária e teme perder o emprego. O filme mostra muito bem toda a pressão familiar e social que a pessoa que ousa fugir do convencional é obrigada a enfrentar.
Uma cena que ilustra muito bem como o tema não era abordado naquela época é aquela em que Lianna procura no catálogo da biblioteca o termo lesbianismo, e só encontra uma remetência para homossexualismo. Felizmente isso já mudou. O que não mudou ainda é o preconceito sexual (e não vamos nem comentar o casal lésbico da novela, que teve que sofrer toda uma maquiagem para poder ser aceito pelos espectadores).
O filme tem várias cenas de sexo entre mulheres, mas em nenhum momento cai no sensacionalismo. São cenas ousadas, mas filmadas de forma bem sensível. Como todo o filme, aliás.
Lianna representa mais um tento na filmografia do brilhante John Sayles."
Direção, Roteiro, Montagem: John Sayles
Música: Mason Daring
EUA, 1983, 110 min.



