A mais italiana das cearenses, Florinda Bolkan, em "Numa Noite, Um Jantar", de Giuseppe Patroni Griffi.
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10/05/2009
02/01/2006
FULCI + FLORINDA = OBRAS-PRIMAS

UMA LAGARTIXA NUM CORPO DE MULHER
Carol Hammond tem um sonho recorrente: ela está no corredor de um trem, e as portas das cabines estão trancadas. De repente o corredor está apinhado de gente, homens e mulheres nus, e ela tenta desesperadamente abrir caminho entre eles. Ao abrir uma porta entra num quarto, onde a espera uma bela loira que se aproxima e a seduz. Ao tentar sair do quarto, se precipita num abismo.
A loira existe, é sua vizinha, Julia Durer. Na tela dividida é mostrado o contraste do mundo dessas duas mulheres: enquanto Carol, num ambiente tipicamente burguês, janta civilizadamente com a família (pai, marido, enteada), Julia promove animadas festas regadas à muito sexo, drogas e rock and roll.
O sonho se repete, mas dessa vez no final Carol mata Julia à facadas, para alegria do seu psiquiatra, que acredita que agora ela conseguiu se libertar. Quando Julia é encontrada morta de verdade, do mesmo modo, Carol torna-se a principal suspeita.
Mas muita coisa irá acontecer (pistas falsas, tentativa de suborno, perseguições, suicídio, assassinatos), até que o inspetor de polícia descubra o verdadeiro assassino.
Achei interessante a ambientação londrina, a mesma 'Swinging London" que o conterrâneo de Fulci, Antonioni, retratou em Blow-Up.
O filme traz uma sequência incrível, que já entrou para minha lista de preferidas: a longa perseguição na igreja. São quase dez minutos sem diálogo, em que todos os elementos fílmicos rendem de forma extraordinária: a música de Ennio Morricone, a fotografia de Luigi Kuveiller, a montagem, a cenografia. Cinema puro!
O elenco permite que se faça várias referências: Stanley Baker foi um dos atores preferidos de Joseph Losey em seu exílio inglês; Jean Sorel é o eterno marido da "Bela da Tarde".
E tem a nossa Florinda Bolkan, que talvez nunca tenha estado tão bonita e elegante como aqui. Além de muito talentosa!
A loira existe, é sua vizinha, Julia Durer. Na tela dividida é mostrado o contraste do mundo dessas duas mulheres: enquanto Carol, num ambiente tipicamente burguês, janta civilizadamente com a família (pai, marido, enteada), Julia promove animadas festas regadas à muito sexo, drogas e rock and roll.
O sonho se repete, mas dessa vez no final Carol mata Julia à facadas, para alegria do seu psiquiatra, que acredita que agora ela conseguiu se libertar. Quando Julia é encontrada morta de verdade, do mesmo modo, Carol torna-se a principal suspeita.
Mas muita coisa irá acontecer (pistas falsas, tentativa de suborno, perseguições, suicídio, assassinatos), até que o inspetor de polícia descubra o verdadeiro assassino.
Achei interessante a ambientação londrina, a mesma 'Swinging London" que o conterrâneo de Fulci, Antonioni, retratou em Blow-Up.
O filme traz uma sequência incrível, que já entrou para minha lista de preferidas: a longa perseguição na igreja. São quase dez minutos sem diálogo, em que todos os elementos fílmicos rendem de forma extraordinária: a música de Ennio Morricone, a fotografia de Luigi Kuveiller, a montagem, a cenografia. Cinema puro!
O elenco permite que se faça várias referências: Stanley Baker foi um dos atores preferidos de Joseph Losey em seu exílio inglês; Jean Sorel é o eterno marido da "Bela da Tarde".
E tem a nossa Florinda Bolkan, que talvez nunca tenha estado tão bonita e elegante como aqui. Além de muito talentosa!

O ESTRANHO SEGREDO DO BOSQUE DOS SONHOS
Num pequeno povoado italiano, cortado por uma moderna auto-estrada, o pânico toma conta das famílias quando vários meninos aparecem brutalmente assassinados. A rotina do local é transformada com a chegada da polícia e da imprensa.
Vários são os suspeitos: um sujeito com problemas mentais; a filha de um milionário nascido no local, obrigada pelo pai a passar um tempo lá devido a um escândalo com drogas na cidade grande, e que demonstra especial atenção para com jovens imberbes; e Maciara, a feiticeira do povoado.
O filme começa justamente com ela, à beira da estrada, desenterrando com as mãos o esqueleto de um bebê. Todo o conflito parece estar resumido nessa introdução: a modernidade invadindo à força um local que parece ter parado no tempo, com suas crendices, superstições, medos ancestrais.
Florinda cria aqui um tipo completamente diferente do outro filme: suja, maltrapilha, arredia. Ela tem duas grandes cenas: ao ter um ataque na delegacia e depois, ao ser solta por falta de provas, ser assassinada pelos pais dos garotos no cemitério, uma cena que choca pelo realismo.
Outros destaques no elenco são Tomas Milian, como um jornalista; a bela Barbara Bouchet como a filha do milionário e principalmente Irene Papas. A princípio estranhei por ela aparecer tão pouco, e quase pensei que tinha sido desperdiçada. Mas na sequência final entendi o motivo do Fulci tê-la escalado: só uma grande atriz poderia transmitir toda a tragédia de uma situação em poucos segundos. Sua expressão de dor permanece conosco terminado o filme.
P.S. 1: Muita gente critica os títulos com que os filmes são exibidos nos cinemas brasileiros. Para mostrar que não temos exclusividade no quesito título ruim, resolvi pesquisar o título que este filme recebeu em outros países. O que ilustra o post é o cartaz francês (ou seria belga?). "A longa noite do exorcismo"? Onde??? As coisas não melhoram muito na Espanha, onde se chamou "Angustia do Silencio". Na própria Itália teve um título alternativo, "Fanatismo". Finalmente no Uruguai teve o título, que serviu de inspiração para o brasileiro, "El Extraño Secreto del Bosque de las Sombras".
Vários são os suspeitos: um sujeito com problemas mentais; a filha de um milionário nascido no local, obrigada pelo pai a passar um tempo lá devido a um escândalo com drogas na cidade grande, e que demonstra especial atenção para com jovens imberbes; e Maciara, a feiticeira do povoado.
O filme começa justamente com ela, à beira da estrada, desenterrando com as mãos o esqueleto de um bebê. Todo o conflito parece estar resumido nessa introdução: a modernidade invadindo à força um local que parece ter parado no tempo, com suas crendices, superstições, medos ancestrais.
Florinda cria aqui um tipo completamente diferente do outro filme: suja, maltrapilha, arredia. Ela tem duas grandes cenas: ao ter um ataque na delegacia e depois, ao ser solta por falta de provas, ser assassinada pelos pais dos garotos no cemitério, uma cena que choca pelo realismo.
Outros destaques no elenco são Tomas Milian, como um jornalista; a bela Barbara Bouchet como a filha do milionário e principalmente Irene Papas. A princípio estranhei por ela aparecer tão pouco, e quase pensei que tinha sido desperdiçada. Mas na sequência final entendi o motivo do Fulci tê-la escalado: só uma grande atriz poderia transmitir toda a tragédia de uma situação em poucos segundos. Sua expressão de dor permanece conosco terminado o filme.
P.S. 1: Muita gente critica os títulos com que os filmes são exibidos nos cinemas brasileiros. Para mostrar que não temos exclusividade no quesito título ruim, resolvi pesquisar o título que este filme recebeu em outros países. O que ilustra o post é o cartaz francês (ou seria belga?). "A longa noite do exorcismo"? Onde??? As coisas não melhoram muito na Espanha, onde se chamou "Angustia do Silencio". Na própria Itália teve um título alternativo, "Fanatismo". Finalmente no Uruguai teve o título, que serviu de inspiração para o brasileiro, "El Extraño Secreto del Bosque de las Sombras".
P.S. 2: Mais uma vez agradeço ao Edú Aguilar, do ótimo Cine Rebeldia (link ao lado), a generosidade de ter me emprestado essas duas preciosidades do cinema italiano, permitindo que eu deixasse de ser tão ignorante em relação a esse mestre, Lucio Fulci. Obrigadão, mesmo!!!
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