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12/03/2006

O TERROR QUE VEM DO CANADÁ

A Dra. Samantha Goodman nega a liberdade a um paciente que ela não julga apto a retomar a vida em sociedade. Ao mesmo tempo, ela descobre que seu tumor cerebral, que estava sob controle, voltou a crescer.
Durante um fim de semana no campo, com seu marido e sua irmã, a psiquiatra recebe um convidado inesperado: Harlan Pyne, um violento ex-condenado que está convencido de que ela usou experimentos antiéticos em seu tratamento no presídio. Nessa noite de horror, Harlan e um comparsa forçam Samantha e sua família a participarem de uma série de jogos carregados de tortura física e psicológica, criados para trazer a verdade à tona e assim realizar uma vingança nada doce.

Pense num filme canadense. Pense no "Possuída" de John Fawcett. Pense em "Léolo", "Cubo", "Adoro Homens de Uniforme", "O Mito do Orgasmo Masculino". Pense na obra de Atom Egoyam, de Denys Arcand. Pense, claro, em David Cronenberg. O que eles têm em comum? Todos provocam uma sensação de estranhamento no espectador.
É interessante: o Canadá tem uma economia estável, tem um dos mais altos padrões de vida do mundo, suas paisagens são belíssimas, não sofre grandes crises políticas. O país geralmente só se torna manchete quando a província de Quebec tenta mais uma vez conseguir a autonomia.
Além disso, conforme Michael Moore mostrou em "Tiros em Columbine", é um dos lugares mais seguros e tranquilos para se viver, já que os canadenses estão sempre com portas e janelas abertas.
No entanto os filmes que vêm de lá insistem em mostrar uma sociedade perfeita apenas na aparência. Famílias disfuncionais, alienação, sexualidade reprimida, solidão, incomunicabilidade, incapacidade de se relacionar com os outros, realidade distorcida, transmutações, estados de percepção alterados. Enfim, os diretores abordam toda uma gama de distúrbios emocionais, afetivos e psíquicos que parecem afetar seus habitantes.
Pois este "Horas de Horror" não fica atrás.
As relações familiares e profissionais são instáveis, o casamento está em crise, e a doutora (maravilhosa interpretação de Kate Greenhouse) desconfia que o marido esteja tendo um caso com sua irmã, sem falar na preocupação com a grave doença. A chegada de Harlan (Aidan Devine, um dos capangas de Ed Harris em "Marcas da Violência", excelente), com seus jogos perversos, levarão Samantha ao limite de sua sanidade. O diretor Fox (uma grande revelação), em mais do que enxutos 80 min., mantém a violência na maior parte do tempo fora do campo de visão do espectador, com exceção do revelador jogo final, em que o criminoso faz com que Samantha decida se vai ou não cortar um dos seus dedos com um alicate.
Nebuloso, enigmático, cruel e instigante, "Horas de Horror" é a visualização de nosso pior pesadelo. Numa palavra: perturbador.

Horas de Horror
Título Original : The Dark Hours
Direção: Paul Fox
Elenco: Kate Greenhouse, Aidan Devine, Gordon Currie, Iris Graham.
Canadá, 2005, 80 mins.
DVD: VideoFilmes

P.S.: Com este encerro, pelo menos temporariamente, minha viagem pelo mundo dos filmes de terror.

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