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10/06/2007

SESSÃO FERIADÃO

Lágrimas Amargas (The Star) - Embora hajam pontos de contato com sua vida particular (as brigas com o estúdio, a dificuldade de encontrar papéis depois de certa idade) não se trata de uma biografia disfarçada de Bette Davis.
Aqui ela é Margaret Elliot, atriz veterana em dificuldades financeiras lutando para conseguir trabalhar num bom filme que possa revigorar sua carreira. Numa cena em que dirige bêbada por Beverly Hills Bette contracena com um dos dois Oscars que realmente ganhou da Academia.
Sua interpretação é fantástica (e lhe valeu mais uma indicação da Academia) neste revelador drama sobre os bastidores de Hollywood. O elenco conta com a presença de Natalie Wood, então ainda uma criança, como a filha de Margaret. Boa a direção de Stuart Heisler.

Bad Timing – Um filme brilhante, que não se esgota numa primeira visão. Será necessário retornar a ele depois. Trata da neurótica relação entre um professor de psicologia e uma garota que ele conheceu numa festa na Viena dos anos 50. O diretor Nicolas Roeg propõe um estimulante jogo de quebra-cabeças ao espectador, em que cabe a esse montar as peças (embora ao final nem todas encaixem). Theresa Russell estava no auge da beleza, e Art Garfunkel demonstra mais uma vez que poderia ter tido uma bela carreira como ator.

A Face do Medo (Cette Femme-lá) – Filme policial com toques de sobrenatural. Uma policial ao investigar um aparente caso de suicídio começa a ter visões com um cara usando capa de chuva. O diretor Guillaume Nicloux demonstra talento na criação do clima de mistério e na condução dos conflitos psicológicos da policial.

Maldito Coração (The Heart is Deceitful Above All Things) – Barra pesadíssima.
Um garoto de 7 anos é tirado dos pais adotivos e devolvido a mãe natural, que o inicia no mundo das drogas, o veste de mulher e ele sofre abusos sexuais de vários dos namorados da mãe. Esta é a bagaceira Asia Argento, que também dirige. O filme foi baseado na obra autobiográfica de um certo J. T. Leroy. Acontece que depois se descobriu que o cara não existe, é uma mulher que escreve com esse pseudônimo (e sua cunhada esteve no Brasil se passando por ele!). Ou seja, mais uma pilantra que conseguiu seus minutos de fama. É assim que acontecem as coisas hoje em dia, neste Admirável Mundo Novo de Big Brother que nem Huxley ou Orwell foram capazes de imaginar.

A vingança de Alexandra (Alexandra’s Project) – O diretor australiano de origem holandesa Rolf de Heer é autor de filmes estranhos, esquisitos, como Bad Boy Bubby e The Quiet Room, mas aqui talvez tenha chegado ao seu ápice.
Steve é um orgulhoso pai de família, com dois filhos saudáveis, uma esposa adorável, um ótimo emprego. Mas no dia de seu aniversário, ao voltar para casa esperando uma festa “surpresa”, encontra a casa abandonada, as luzes apagadas e apenas uma fita VHS de presente. Ao assisitir a fita ele descobre que Alexandra, sua esposa, resolveu se vingar da forma mais cruel por todos os anos de abusos, frustrações e traições sofridos no casamento. São basicamente apenas dois atores em cena, sendo que a mulher é vista a maior parte do tempo apenas na tela da TV. A surpresa de Steve é a mesma que nós, espectadores, experimentamos durante o filme, pelas revelações que vão surgindo. A desconhecida (para mim, pelo menos) Helen Buday é soberba, demonstrando grande coragem ao se despir tanto física quanto psicologicamente. Sim, um filme muito estranho. Mas fascinante.


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